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A química da diferença de idade

Revista Isto é

A química da diferença de idade

O que faz com que as relações entre mulheres experientes e homens jovens se tornem cada vez mais frequentes

Suzane G. Frutuoso

 


VITÓRIA
Marco e Regina, juntos há 20 anos, enfrentaram preconceito. Até as amigas se afastaram dela

Os astros americanos Demi Moore e Ashton Kutcher são um dos casais mais pop dos últimos tempos. Juntos há quatro anos, eles não escondem a felicidade da união. Nem a idade. Kutcher é 16 anos mais jovem que Demi. O relacionamento dos atores se tornou ícone de uma tendência crescente e comprovada por pesquisas no Brasil e no Exterior: romances em que as mulheres são mais velhas do que os homens estão em alta como nunca (leia quadro). Uma vitória contra o preconceito e a favor da diversidade nas relações. A tevê também começa a refletir positivamente sobre esse fenômeno social e cultural. Um dos seriados de maior sucesso da tevê nos Estados Unidos atualmente é “Cougar Town”, que estreou em setembro na rede ABC. A atriz Courtney Cox faz o papel de uma quarentona divorciada que descobre que os jovens a acham atraente. O seriado, dizem os críticos, tem o mérito de apresentar uma mulher bonita e confiante, que busca uma relação estável, não uma aventura. É o contrário do papel explorado até então, em que as senhoras maduras envolvidas com rapazes são criaturas desesperadas, que conseguem companhia graças ao dinheiro. “O que se via na mídia não refletia quem são essas pessoas na vida real”, diz Linda Franklin, autora do livro “Don’t Ever Call Me Ma’am! The Real Cougar Woman Handbook” (“Nunca Me Chame de Mamãe! O Manual da Verdadeira Pantera”). E o que torna esses relacionamentos tão atraentes? Justamente o perfil da mulher moderna. A medicina é sua maior aliada, garantindo longevidade, saúde e beleza. Com o mercado profissional conquistado, não depende de ninguém para seu sustento.


TROCA
Renata admira a garra de Filipo. Ele diz que aprendeu com ela a ser menos ansioso e mais ponderado

A idade lhe trouxe segurança e equilíbrio para lidar com os problemas. Sexualmente é liberada, se permitindo buscar o prazer sem constrangimentos. “A única coisa que ela deseja é conquistar o que for bom emocionalmente”, diz Claudya Toledo, diretora da A2 Encontros,  agência de relacionamentos. Tanta vitalidade e confiança encantam os rapazes. “Os mais velhos também são considerados por elas machistas e individualistas”, diz a psicanalista Dorli Kamkhagi, mestre em gerontologia. “Enquanto o jovem está disposto a conhecer um mundo novo.” A escritora Renata Rode, 33 anos, sempre namorou homens mais velhos. Não esperava se apaixonar por alguém que saísse do padrão, até conhecer o gerente comercial Filipo Saliba, 28 anos. Um amigo em comum os colocou em contato. “Quando ele disse a idade no primeiro encontro, quase não acreditei, por causa da sua maturidade”, lembra Renata. Ela diz que admira Filipo pela garra em alcançar objetivos. Ele afirma que a experiência da namorada o ajuda a enfrentar com menos ansiedade os problemas. “Renata me ensinou a ponderar na hora de tomar decisões.” Mas, apesar dos bons ventos de mudança, comprovados por pesquisas e numerosos casais felizes, nem sempre assumir um relacionamento assim é fácil. A numeróloga Regina Maura, 61 anos, enfrentou a resistência da família quando começou a namorar o webdesigner Marco Antonio Fonseca, 52 anos, há duas décadas. “Minha mãe achava uma vergonha”, conta. Amigas chegaram a se afastar de Regina, dizendo que um dia Marco a abandonaria. Ele também foi alvo de situações constrangedoras. 

As pessoas insistiam que Regina não servia para uma relação duradoura. Além de mais velha, era divorciada e tinha dois filhos. Hoje, eles se divertem ao relembrar, mas admitem que sofreram com o preconceito. O desafio atual é cada um superar os próprios medos dentro da relação. A mulher, o ciúme, ao ver o amado conversando com alguém mais jovem. O homem, de ser visto como um oportunista. Tudo bobagem. “Uma mulher dessas não se deixa explorar. E o rapaz, se a escolheu, é porque a considera  melhor do que qualquer menina”, diz a terapeuta Ana Maria Zampieri. Um ponto positivo desse tipo de romance é não existir espaço para a competição, comum nas relações em que os parceiros têm faixa etária semelhante. “A troca entre as partes é mais marcante”, diz Claudya Toledo. Esses amores podem acabar – como qualquer outro. Não necessariamente por causa da idade, mas porque a vida a dois precisa de aceitação e tolerância para dar certo. O que importa é existir prazer, alegria, companheirismo. A data de nascimento na carteira de identidade é só um detalhe. 

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Fonte: www.istoe.com.br